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MEU PAI, MEU AMOR

Meu pai meu amor é uma obra inspirada no destino froidiano de muitas jovens. Jovens e adolescentes que assistiram seus pais e seus irmãos mal tratando e humilhando suas esposas, mães, madrastas, irmãs e companheiras. Moças dependentes. E dependentes do que quer que seja, menos do verdadeiro carinho e do cuidado. Dependentes do amor excessivo. Bombardeadas psicologicamente e fisicamente. Moças sempre ameaçadas. Às vezes ameaçadas de morte. Ou ameaçadas a serem deixadas. Sim, amedrontadas pelo pior pesadelo da mulher que ama demais: terminar sozinha e esquecida pelo amor de sua vida. Vida que certamente foi corrompida pelo amor medíocre do seu pai e amante, que não precisaram ao menos se esforçarem no amor, afinal já recebiam em excesso o amor. E além da história da família, o mercado do amor romântico. Um prato cheio para qualquer garota se apaixonar pelo seu próprio assassino. Muitas vezes romantizamos inúmeras situações de violência. Elas estão disfarçadas de amor. E são ciúmes. Possessividade. O que aprendi sobre o amor não saudável é que, sim, o violentador é aquele cara que todos já sabiam que ele não era bom. O assassino é aquele que aparentemente só ama a você e mais ninguém. O assassino é aquele já disse brincando que mataria. O assassino é aquele cara que diz amar tanto, mas tanto, e na verdade, ele só não gostaria de dividir o seu "grande" amor com outro alguém. Grande amor. Amor tão grande que é disposto a esconder debaixo do tapete as humilhações. Amor disposto a ignorar a prisão e o cativeiro que é o casamento dos amantes que não sabem amar. Esse livro é sobre esse amor. O propósito dele, e não sei se é possível, é não romantizar nada que não seja verdadeiramente romântico. O que não é fácil do ponto de vista esclarecido de uma mulher já destruída pelo amor em excesso. Um livro que é o olho do furacão.  Capaz de fazer enxergar muito além do sentimento que perturba e destroça todos os que amam demais.
Meu pai meu amor, foi a maneira mais sensata de superação do amor da minha vida. Sempre quis escrever um livro sobre codependência e nunca soube o que escrever, e então percebi que não era essa a questão em si, e sim, como escrever, e o que seria necessário para eu conseguir. Seria necessário eu mudar o meu jeito de amar? Necessário me perceber como alguém que pode ser amada de volta? Perceber que nem todo sofrimento é bom? Necessário enxergar as oportunidades de liberdade nos relacionamentos? Como superar o desastre que é ser odiada e violentada pelo próprio amor da minha vida? Foi necessário entender que meu pai e o meu amor é um só personagem representado pelas minhas maiores necessidades de afeto e compreensão. Eu dizia ao meu psicólogo que eu queria uma obra que mudasse a vida de muitas pessoas, ele me disse que eu me cobro demais. Hoje entendo que não é sobre a vida de muitas pessoas, e sim, sobre a minha vida. Sobre as minhas escolhas. Sobre meus amores. Logicamente adoraria que esse livro chegasse às mãos de muitas mulheres. Mas senão, que chegue as mãos das mulheres e homens que amam demais!
Meu pai meu amor está longe de ter um final feliz. Está mais para um começo que nos condena a estar sem controles excessivos na busca pela paz e a saúde no amor.

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